07/02/2021 às 14h14min - Atualizada em 08/02/2021 às 14h30min

Altas temperaturas em fevereiro exigem cuidados extras com os pets

Médicos-veterinários dão dicas para manter os animais seguros e saudáveis no calor no verão

SALA DA NOTÍCIA Sandra Cunha
Divulgação
Altas temperaturas em fevereiro exigem cuidados extras com os pets
Médicos-veterinários dão dicas para manter os animais seguros e saudáveis no calor no verão
O mês de janeiro ficou para trás, mas o verão continua em fevereiro e a previsão é de muito calor, com temperaturas médias na casa dos 24 graus e máximas chegando a 28 graus em determinados momentos do dia no estado de São Paulo. Por isso, é importante manter cuidados especiais para garantir a saúde e o bem-estar dos pets. 
Os maiores perigos para os animais domésticos durante esta estação são: queimadura dos coxins (almofadinhas das patas), desidratação, viroses, leptospirose, alergias sazonais, parasitas e hipertermia. Para evitar que os pets adoeçam e permitir que eles aproveitem da melhor maneira possível o verão, é importante seguir as recomendações dos médicos-veterinários e adotar algumas medidas simples de prevenção. 
Ainda que os passeios pareçam ser sempre uma boa pedida nos dias de sol, as altas temperaturas podem ser prejudiciais para os animais, conforme alerta a médica-veterinária Maria Cristina Timponi, presidente da Comissão Técnica de Entidades Regionais Veterinárias do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP). 
“Os passeios que nós fazemos com os pets no verão devem acontecer bem cedinho, quando o sol está mais fraco, ou à noitinha, quando ele está se pondo, evitando, assim, uma hipertermia - quando a temperatura fica mais alta que o normal, o que pode provocar, inclusive, a morte do animal”, afirma a médica-veterinária. 
Tosas e preventivos
Maria Cristina lembra que os animais que têm pelos longos podem sentir ainda mais calor, por isso os pelos podem ser mantidos mais curtos no verão por meio das tosas. “Isso só não deve ser feito nas raças que têm subpelo, caso do Malamute, Husky Siberiano, Chow-chow, Akita e Spitz. A pelagem desses animais funciona como um isolante térmico, além disso, a tosa pode mudar completamente a textura do pelo”, explica.
Além do calor, as idas a parques e praças também podem significar contato com doenças e parasitas, como pulgas e carrapatos. Segundo o médico-veterinário Marcio Thomazo Mota, presidente da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais do CRMV-SP, antes dos passeios é importante certificar-se de que os cães estão com as vacinas e o tratamento preventivo em dia. “Quando chegar em casa, o tutor deve verificar se o pelo do animal está limpo e sem indícios de parasitas”, complementa Marcio.
Hidratação e proteção
A médica-veterinária Maria Cristina Timponi destaca a importância de manter  os animais hidratados nessa estação. “A água deve ser fornecida à vontade, pois ajuda muito na diminuição da temperatura corporal.” 
Maria Cristina também chama a atenção para o uso de protetor solar, especialmente em pets de cor clara. “O protetor pode ser indicado tanto para os gatos quanto para cães das raças Boxer, Bull Terrier, Pitbull e outros animais brancos que tenham pelos curtos e estejam mais expostos aos raios solares, já que eles correm um risco maior de desenvolver câncer de pele”, diz.
Enfermidades mais comuns aos pets no verão
Coxins queimados
O solo quente pode causar danos sérios ao queimar a base das patas de cães e gatos. “Podem ser sinais de queimadura se o animal coxear ou recusar-se a caminhar, se forem observadas bolhas ou vermelhidão no local, ou se ele lamber ou mastigar as patas que ficaram mais escuras do que o normal”, afirma o médico-veterinário Marcio Thomazo Mota.
Desidratação
A desidratação ocorre como resultado de uma diminuição acentuada do líquido corporal. Os sintomas mais comuns são vômitos intensos, febre, ingestão insuficiente de alimentos ou água e diarreia. “É realmente uma doença grave, que deve ser corrigida imediatamente. Outros sintomas consistem em olhos fundos, diminuição do apetite, boca seca, perda de peso, volume excessivo de urina e fraqueza”, diz Mota.
Viroses
As viroses intestinais também são bastante incidentes no verão. “É o caso da parvovirose que causa uma diarreia com sangue. Nesse caso, o vírus é mais resistente ao calor”, explica Maria Cristina. A imunização contra a doença faz parte do calendário regular de vacinação dos cães.
Leptospirose
Outra doença comum nesta estação é a leptospirose. “É uma doença bacteriana transmitida pela urina do rato, que se mistura na água e penetra no organismo do homem e dos cães (os gatos são mais resistentes) provocando lesões irreversíveis no rim, podendo levar a óbito”, diz a médica-veterinária Maria Cristina Timponi.
Mota relata que os sintomas consistem em febre, dores nas articulações ou no corpo, vômitos, fraqueza, secreção nasal e também nos olhos, diarreia e maior ingestão de água. “É possível prevenir com vacinas anti-leptospirose, ou múltiplas. Além disso, evitar que os cães entrem em lagos e rios pode ajudar a reduzir as chances de contágio”, afirma.
Alergias Sazonais
Problemas dermatológicos são muito mais frequentes no verão do que no inverno. “Isso ocorre porque as bactérias se desenvolvem mais facilmente no calor e a Malassezia, que é um tipo de fungo causador de alergias, também tem preferência por calor e umidade”, diz Maria Cristina.
Os cães podem ser alérgicos a uma série de itens sazonais, como pulgas, grama e diversas plantas. “Se você acha que seu cão pode ter algum tipo de reação alérgica, coceira ou talvez diminuição da pelagem, recomenda-se uma visita antecipada ao médico-veterinário”, orienta Mota.
Parasitas
Os cães estão sujeitos a parasitas internos e externos.  As parasitoses por giárdia também são muito mais frequentes no verão. Caso a presença permaneça negligenciada, podem resultar na morte do animal, por isso é muito importante descobrir os sinais. “Normalmente os sintomas incluem pelagem desalinhada ou sem brilho, perda de peso, perda de apetite, tosse, vômito e diarreia, dor de estômago, anemia e fezes com sangue. É aconselhável que o tutor procure rapidamente o médico-veterinário para obter o reconhecimento positivo de parasitas”, diz Mota.
Dirofilariose
 “Existe ainda o perigo da Dirofilariose, chamado verme do coração. Mais comum na região do litoral, a doença é transmitida pela picada de mosquito. Como forma de prevenção, há um comprimido que pode ser administrado 30 dias antes da viagem. Quem mora em regiões de alta incidência da doença, deve estar sempre protegendo o animal com medicações e o uso de coleiras repelentes”, afirma Maria Cristina.
Para Marcio, embora seja comumente encontrada em cães, a dirofilariose também pode afetar os gatos. “A dirofilariose é mais comumente observada em climas mais quentes. Facilmente transmitida por picadas de insetos ou contato com outro animal infectado, esta doença inibe o bombeamento e o funcionamento adequado do músculo cardíaco e pode causar insuficiência cardíaca se não for tratada”, sinaliza.
Hipertermia
Ocorre quando o animal perde seu potencial natural para controlar a temperatura corporal. “A hipertermia é uma ameaça perigosa à vida dos animais; em alguns casos, pode ser mortal. Os sintomas consistem em maior frequência cardíaca, maior salivação, língua avermelhada brilhante, gengivas avermelhadas ou pálidas, depressão, fraqueza e tontura”, explica Mota. 
O médico-veterinário recorda um atendimento que fez à um cão da raça Pug, que chegou na clínica com uma respiração muito ofegante e salivação intensa, olhos arregalados e com muito barulho ao respirar. “Rapidamente colocamos ele no consultório e detectei uma temperatura corporal de 45 graus. Conversando com as responsáveis, elas relataram que foram até a farmácia e deixaram o cão no carro”, conta. 

Sobre o CRMV-SP
O CRMV-SP tem como missão promover a Medicina Veterinária e a Zootecnia, por meio da orientação, normatização e fiscalização do exercício profissional em prol da saúde pública, animal e ambiental, zelando pela ética. É o órgão de fiscalização do exercício profissional dos médicos-veterinários e zootecnistas do estado de São Paulo, com quase 42 mil profissionais ativos. Além disso, assessora os governos da União, estados e municípios nos assuntos relacionados com as profissões por ele representadas.
 

 
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