17/08/2020 às 12h13min - Atualizada em 17/08/2020 às 12h13min

Saúde mental e Covid-19. A face oculta da pandemia

Jennifer da Silva
Suporte MF Press Global
Dados da OMS mostram que o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas em todo o mundo. Neurocientista explica como este pode ser um fator determinante para o aumento dos casos de morte por Coronavírus no país.
 
O noticiário brasileiro está repleto de informações sobre o número de infectados e mortos pelo Covid-19. Os números crescentes assustam enquanto as medidas paliativas de tratamento são amplamente divulgadas e todos aguardam pela chegada da vacina ou de um tratamento realmente eficaz contra esta doença. No entanto, ao mesmo tempo que as taxas crescem e sem a perspectiva de queda destes números, e ao contrário do uso de terapias questionáveis como a ozonoterapia ou o uso de fármacos como a hidroxicloroquina ou a ivermectina, pouco é falado de um assunto importante que pode ser um fator grande importância para a elevação dos dados: a saúde mental do brasileiro.
 
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019 o Brasil foi o país com o maior de número de pessoas que sofrem com a ansiedade em todo o mundo. E agora, viver este período de incertezas, quarentena e isolamento certamente traz uma série de sintomas que valem a pena destacar: ansioso, raiva, doente, deprimido, estressado, insatisfação ou tristeza diante de tantos desafios que tomaram conta de nossas vidas durante este ano. Tais fatores podem aumentar os riscos de morte pelo Coronavírus.
 
De acordo com o neurocientista, neuropsicólogo, psicanalista, nutricionista e filósofo Fabiano de Abreu, a ansiedade deve ser levada a sério neste período de pandemia, e com ela afetando o corpo, pode trazer riscos como aqueles tão divulgados diariamente: "A ansiedade é um mecanismo de fuga natural no ser humano, estamos em um momento de incertezas e esse receio/medo potencializa a ansiedade. Se em 2019 já fomos apontados como o país com o maior número de ansiosos em todo o mundo, imagina nos dias de hoje o quanto este número já deve ter aumentado ainda mais? A ansiedade está relacionada ao estresse já que ela é a pulsão para sairmos daquela situação e quando não há solução, a falta, potencializa a ansiedade aumentando o estresse e baixando assim a imunidade". Além disso, Fabiano destaca que "uma má alimentação devido ao pouco tempo que temos para dispensar conosco mesmo e a vida atribulada que temos, associados aos problemas do cotidiano e adicionando o momento que vivemos, entendo então que os brasileiros são o povo com maior risco em relação a esta perigosa doença."
 
É fundamental que a ansiedade seja diagnosticada e tratada a tempo hábil, pois caso contrário pode trazer uma série de prejuízos para a saúde mental e física da pessoa: "A ansiedade pode levar à síndrome do pânico, fobias, transtornos, síndromes, mutismo seletivo, estresse e depressão", explica o neurocientista.
 
A sociedade vive um tempo difícil, diferente de tudo que já passou até hoje, mas é preciso cuidar bem da mente, afinal, em meios a tantas incertezas uma questão é certa assim como o velho ditado: "mente sã, corpo são". A saúde mental agradece, e a do corpo também.
 
Com lidar com a ansiedade - alguns pontos para controlar 
 
• Falta de metas de curto e longo prazo elevam a ansiedade e levam à depressão. É importante criar não só metas de longo prazo, mas as de curto prazo. Principalmente quem sofre de ansiedade;
• Respiração, procurar respirar fundo quando sente-se ansioso; 
• Nosso tipo de pensamento é responsável pelas diversidades mentais negativas. O pensamento desencadeia uma ação no sentimento. Precisamos pensar positivo e buscar ações positivas;
• Meditação é um bom relaxamento quando consegue pratica-lo devidamente, não pensando em nada negativo ou que leve à ansiedade; 
• Auto intoxicação comportamental, onde seus pensamentos desregulam os hormônios neurotransmissores trazendo desequilíbrio. Mudança de hábito é essencial;
• Uma neuroplasticidade cerebral criando novas conexões através da leitura, exercícios físicos e mudança de hábitos;  
• Uma alimentação que supra nossas necessidades e regule a microbiota intestinal para que reações não atrapalhes o bem estar e não levem a uma ansiedade; 
 
Sugestão de fonte:
Fabiano de Abreu
Neurocientista, neuropsicólogo, psicanalista, nutricionista e filósofo.
 
 
Referências Brasil; país mais ansioso do mundo: https://exame.com/ciencia/brasil-e-o-pais-mais-ansioso-do-mundo-segundo-a-oms/
 
Aumento da ansiedade e do estresse: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/08/11/pesquisa-da-uerj-mostra-que-casos-de-ansiedade-e-estresse-aumentaram-durante-a-pandemia-do-coronavirus.ghtml
 
Ansiedade e o estresse: https://blog.psicologiaviva.com.br/ansiedade-generalizada-e-o-estresse/
 
Estresse e baixa imunidade: https://www.scielo.br/scielo.php script=sci_arttext&pid=S1516-44462004000300002
 
Coronavírus, estresse e imunidade: https://emais.estadao.com.br/noticias/bem-estar,medo-do-coronavirus-pode-aumentar-o-estresse-e-diminuir-imunidade-no-corpo-entenda,70003236640
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