11/08/2020 às 08h33min - Atualizada em 11/08/2020 às 09h50min

Seletividade e Neofobia alimentar em crianças: especialista esclarece sobre tratamentos

A seletividade e neofobia alimentar não são a mesma coisa. A seletividade se refere a recusa da criança por um grande número de alimentos de um mesmo grupo. No caso da neofobia, o caso é mais sério, pois a criança tem medo de novos alimentos e a dificuldade a ser superada é maior. Segundo a nutricionista materno-infantil Camila Garcia, existe tratamento para os dois distúrbios alimentares.

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Seletividade alimentar como tratar

A seletividade e a neofobia alimentar não são a mesma coisa. A seletividade se refere a recusa da criança por um grande número de alimentos de um mesmo grupo. No caso da neofobia, o caso é mais sério, pois a criança tem medo de novos alimentos e a dificuldade a ser superada é maior. Segundo a nutricionista materno-infantil Camila Garcia, existe tratamento para os dois distúrbios alimentares.

Claro que toda mãe quer que o filho coma bem, tenha hábitos alimentares saudáveis, mas muitas vezes, ela tem dificuldade com isso. A nutricionista materno-infantil Camila Garcia explica que a seletividade e a neofobia alimentar podem acontecer com qualquer criança e saber como lidar é o que fará a diferença no aprendizado.

Nesses casos a criança quer escolher o cardápio e pode não ser receptiva a novos alimentos. Segundo Camila, esses distúrbios têm solução e podem sim, com a ajuda da família, reverter essa situação. “O problema é quando os pais acham que é uma fase e não fazem nada além de esperar essa fase passar. Ela não vai passar sozinha”, afirma a nutricionista. Os pais precisam agir da maneira correta para garantir uma alimentação saudável aos filhos.

O que é seletividade alimentar?

Seletividade alimentar infantil é quando o bebê recusa alguns alimentos, tem falta de apetite e pouco ou nenhum interesse pela comida. Não é normal, mas pode acontecer com qualquer criança. Ela tem preferências alimentares muito restritas e não se motiva a comer determinados alimentos.

Neste caso, por algum motivo, a criança não come um ou mais grupos alimentares. Os 5 grupos alimentares são: proteína, leguminosas, verduras, legumes e carboidrato. O ideal é que o prato da criança contenha um alimento de cada grupo para ser uma refeição completa.

Com a seletividade, ela não come a maior parte dos alimentos do grupo. Por exemplo, se ela não come cenoura, mas come vários outros legumes, como beterraba, chuchu, abobrinha, berinjela, tomate, ela não é seletiva. É apenas um alimento que ela não aceita.

A recusa alimentar acontece em fases e é importante identificá-las para saber como agir. No início da introdução alimentar, não se pode dizer que a criança é seletiva, ela ainda está conhecendo os alimentos. Por volta dos 10 meses, pode ser um dentinho, uma vacina ou outro motivo que deixa o bebê mais seletivo.

Quando ele completa 1 ano, é normal o bebê comer menos porque a sua necessidade energética é menor, então não se trata de seletividade. A partir dos 2 anos é que se pode afirmar que a criança é seletiva. São fases, mas não se pode esperar que elas passem sem fazer nada. Se a mãe quer ensinar uma alimentação saudável, tem que saber como lidar para que o problema não persista.

Neofobia alimentar: o que é?

Neofobia é o medo do novo, no caso da alimentação é o medo de alimentos novos. É diferente da seletividade e é muito mais difícil para a criança. Ela realmente tem uma fobia e precisa respeitar e ir devagar.  Ela costuma aparecer entre 3 e 6 anos e a criança não tolera nada do alimento: ela não pega na mão, não gosta do cheiro, não senta na mesa e não quer nenhum contato com o alimento.

Quando existe a neofobia, a criança tem medo do alimento e precisa sentir-se segura para aceitar. Ela não vai comer se estiver desconfiada.

Existe tratamento?

Existe tratamento para os dois casos e o papel da família é fundamental.

No caso da seletividade, é importante identificar a fase em que a criança está. No caso da neofobia, o tempo de tratamento é maior, mas é possível. Nos dois casos é necessário trabalho diário para uma boa educação nutricional da criança. 

Não é de um dia para o outro que a criança vai comer de tudo, leva um tempo, mas não se pode desistir, afinal saúde é coisa séria.

Como superar?

É fundamental que a criança continue tendo contato com o alimento. Mesmo diante da recusa, no caso da seletividade, é necessário oferecer em outras ocasiões, tentar preparações diferentes, por exemplo, a criança não aceitou assado, tente grelhado ou cozido da próxima vez. É muito importante insistir e não desistir. Insistir não é forçar, quanto mais se forçar, vai ser pior. Por volta de 1 ano a criança já está experimentando a autonomia e vai falar não mesmo. 

No caso da neofobia, precisa de mais trabalho. Não basta colocar no prato e esperar a criança comer. Ela tem que ter contato com os alimentos de outras formas que não seja na hora da refeição, como em brinquedos, livros de historinhas, desenhos para pintar, envolver ela nas preparações e até mesmo levar junto na hora de comprar. É assim que a criança vai conhecer e sentir segurança. Para ela, outra forma de superação é ver os pais comendo, pois assim sente segurança para experimentar.

As principais dicas para superar seletividade alimentar são:

1 – Não rotular a criança: nunca diga “Ela é chata para comer” ou “Minha filha não come banana”.

2- Expor a criança aos alimentos: ofereça e não deixe de comprar mesmo se a criança recusar. 

3 - Ofereça preparações diferentes com alimentos que ela aceita. Cuidado para não camuflar, ou seja, fazer um bolo de cenoura e não dizer que tem cenoura. A criança deve saber tudo que vai na receita.

4 - Seja exemplo. Nada melhor que ver os pais comendo para que a criança coma também.

5 – Procure ajuda profissional. Se necessário, procure um profissional que faça acompanhamento de perto e ajude.

Não basta seguir apenas 1 dessas orientações, tem que fazer tudo junto e colocar em prática.

A importância da família no tratamento

Este fator é o mais importante para o tratamento. O ambiente familiar reflete muito na aceitação e na alimentação da criança. Além das dicas acima, é preciso que os pais tenham paciência e persistência no dia a dia para ensinar.  Tem que comer junto, tem que mostrar, tem que comprar e cuidar do ambiente. 

A hora da refeição deve ser prazerosa para a criança e nunca um momento de brigas, discussões, choros ou mesmo nervosismo da mãe porque o filho não quer comer. Tudo isso deixa a criança insegura e ela não vai querer mesmo comer. Também é muito importante não forçar ela a comer tudo, raspar o prato ou então substituir o alimento que ela recusa. Se ela não quer, tudo bem. É necessário manter a tranquilidade e avisar que a próxima refeição será o lanche e que até lá ela não poderá comer outra coisa.

Não importa se a criança tem 2, 4, 7 ou 10 anos, sempre é tempo de reverter a seletividade e a neofobia alimentar. Somente com o apoio da família a criança vai crescer com hábitos alimentares saudáveis e ter uma boa saúde.



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