10/07/2020 às 12h23min - Atualizada em 11/07/2020 às 08h23min

Quem fala de racismo pode ser racista?

Neuropsicólogo revela conceito polêmico com base na psicologia da lei do espelho

Jennifer Silva
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Fabiano de Abreu revela com base em seus estudos e pesquisas que falar de preconceito pode trazer mais preconceito e pode ser um ato preconceituoso

O assunto preconceito é sempre muito polêmico. A maioria quer acabar com o preconceito, até porque a ética e a moral em uma sociedade define que ele não pode existir, assim como ele não faz sentido levando em consideração que o bom da vida são as diferenças. O neurofilósofo Fabiano de Abreurefletindo sobre essa questão, escreveu seu conceito baseado em pesquisas, estudos e leis da psicologia que, mesmo causando polêmica, decidiu divulgar. 

“Eu já vi de tudo nesta vida, já estive em muitos países, tenho amizades de diversas etnias, o preconceito nunca esteve em pauta na minha vida já que não enxergo diferenças negativas ou positivas em relação a etnia. Entendo que as pessoas são diferentes por si só dentro de uma normalidade. Seja na personalidade ou nos padrões físicos. Dizer que todos são iguais é meio sem sentido, pois se os olhos vêem formas e cores diferentes, então são diferentes no quesito físico. No mental todos são diferentes pois temos personalidades diferentes e isso é a graça da vida. Se fôssemos iguais faríamos todos as mesmas coisas e a vida não seguiria o seu ciclo. Imagina se todos fossem advogados, quem iria contratá-los?” 

Abreu que é filósofo, neurocientista, neuropsicólogo, psicanalista, neuropsicanalista e jornalista, além de outras formações que possui para a sua coleção de diplomas e certificados,  vê nos estudos uma prática de compreensão do comportamento humano e uma forma de, como ele diz, liberar hormônios e neurotransmissores para um bem estar através dos estudos. O neurofilósofo revela com base na psicologia e na psicanálise o seu conceito sobre o racismo. 

“Jamais se pode generalizar, isso não é uma afirmação definida para todo caso, mas está relacionado a um fato que é cabível de raciocínio e teorização. Já vi relatos de preconceito de branco com negro, negro com branco, negro com negro, branco com branco, assim como asiáticos e outras etnias. Baseado nisso fiz uma observação para chegar a essa elucidação sobre racismo e racistas. Um viés desta elucubração, é que, pessoas que não demonstram ter preconceito, não falam sobre o tema. Cognitivamente não demonstram ter preconceito e este tema não faz parte do vocabulário já que, quando não se vê diferença, não chama a atenção para comentários prós ou contras. Simplesmente todos são iguais e ao mesmo tempo é normal ser diferente.” 

Profundo em sua linha de raciocínio, Abreu fala do cuidado com o fanatismo; “Há quem defenda causas por ter sofrido injustiça ou por seguir uma onda que o introduz culturalmente neste objetivo. Mas alguns dos que seguem uma ideologia, tornam-se fanáticos por ela e acaba por introduzir o preconceito na própria cultura , de forma fundamentalista sem permitir evolução."

Com base em uma lei na psicologia, Abreu revela o seu conceito; ”na psicologia, a lei do espelho estabelece que nosso inconsciente nos faz pensar que o defeito ou desagrado que percebemos nos outros existe somente “lá fora”, não em nós mesmos. A projeção psicológica é um mecanismo de defesa por meio do qual atribuímos a outras pessoas nossos sentimentos, pensamentos, crenças ou até mesmo ações próprias que são inaceitáveis para nós. Portanto negamos em nós e projetamos no outro, aspectos próprios, que nos causam feridas narcísicas. Essa projeção psicológica acontece pois a nossa mente entende a ameaça física e emocional à integridade mediante a nossa personalidade social, e emite assim um sinal de rejeição para o meio externo projetando no outro essas características que não a nós mesmos. Retirando a ameaça de nós mesmos, e evitando a dor da mudança que esse reconhecimento de algo negativo, nos exigiria.” 

Abreu finaliza dizendo que enfatizar o preconceito, trazer o assunto à tona, pode trazer mais preconceito; “o preconceito é algo do passado, na realidade no passado distante havia menos preconceito. Pois havia menos estereótipos. Mas enfatizar o tema preconceito, é uma forma de ligar o alerta nas mentes perversas chamando a atenção sobre ele, que passam a enxergar diferenças onde estas não existem. Quando falamos em preconceito, jogamos luz sobre visões adoecidas, enrijecidas e inflexíveis. O ser humano é de uma riqueza plural, não há forma nem fórmulas em que todos nos encaixamos ou contenhamos. Por isso o estereótipo pode ser a matriz de muitos preconceitos. Na psicologia e na psicanálise nada e tudo não existem. É imperativo relativizar, a pessoa e seu contexto. Mas a negação e a projeção são os mecanismos de defesa mais usados socialmente. Para evitação de nossas próprias mazelas existenciais, ficamos no discurso politicamente correto e não na ação correta! Utilizar esse discurso para criticar, julgar e condenar o outro, não nos eleva a melhor lugar de nós mesmos. A palavra tem força política e movimenta a sociedade. Mas a ação real a partir de modificações positivas, trazem melhorias para os dois lados da força dessas relações. Para quem sofre e para quem impele a dor ao outro. Que tomemos para nós a melhores escolhas de ações que possam produzir uma sociedade igualitária. Se todo singular se importar com o plural, se cada um em sua vida privada agir na vida coletiva, o mundo será efetivamente um Melhor Lugar para se morar.” 

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A falta de autoconhecimento leva a julgar o outro e invadir o espaço alheio, afirma neurofilósofo

Fabiano de Abreu, neurofilósofo e psicanalista, analisa que os motivos comportamentais, sociais e culturais que leva o outro a julgar o seu próximo reside na ausência de autoconhecimento e auto-aceitação.

Embora estejamos em uma época em que a diversidade e o respeito ao diferente tem sido pauta de diversas discussões e manifestações artísticas, culturais e sociais, ainda não evoluímos o suficiente como sociedade para nos livrarmos totalmente dos nossos pré conceitos e julgamentos. 

O neurofilósofo e psicanalista Fabiano de Abreu, que atua como pesquisador da mente humana e de padrões comportamentais, têm procurado entender o que leva uma pessoa a julgar o próximo. Segundo suas análises, os motivos podem estar primeiramente dentro do próprio julgador: “As pessoas que criticam e julgam as escolhas e o comportamento dos outros, na verdade, não os aceitam como são, e querem que eles sejam e ajam conforme as suas necessidades e vontades particulares. Elas não conseguem aceitar os outros como são pois são egocentristas. Enxergam a si mesmas como potencialmente superiores e são desprovidas de humildade. Falta-lhes maturidade emocional e empatia para entender as nuances que revelam os motivos dos outros.” 

O vício do julgamento

Para Abreu, existe um círculo vicioso para muitos no que diz respeito a julgar e avaliar o outro: “isso porque não se trata da vontade de tentar compreender as atitudes, comportamentos e a personalidade alheia, mas é apenas um impulso para satisfazer suas próprias certezas e reafirmar suas verdades que satisfazem a uma única pessoa, que é ela mesma. Os julgadores profissionais agem sempre como se o outro fosse um objeto de estudo para que eles possam se auto-afirmar e se vangloriar de ser melhores do que aqueles que eles julgam. E esse movimento constante de olhar para fora, os impedem de avaliar a si mesmos.” 

Diferença entre opinião construtiva e julgamento

O estudioso salienta que expor uma opinião construtiva não é um julgamento, nem uma crítica, é uma mera observação: “a crítica e o julgamento se dão quando o observador se julga no direito de fazer uma interpretação pejorativa do fato ou do indivíduo, quando acusa, desdenha, diminui, e invalida o outro. O observador que quer contribuir para a evolução do seu próximo não vai julgar, vai conduzir a conversa no sentido de se igualar com o outro e não, se mostrando superior a ele.” 

Segundo suas observações, entender o outro e responder às suas ações usando a cognição e a empatia considerando a sua personalidade é necessário: "mesmo quando se quer contestar algo que foi dito ou feito é um ótimo mecanismo que evita conflitos e, tem mais chances de atingir o objetivo, que é a conquista da confiança daquele que desejamos ajudar com a nossa opinião. Nos faltam espelhos quando enxergamos algo de errado nos outros. É temeroso ter que avaliar a si mesmo e perceber que muitas das nossas ações não são corretas. Julgar apenas aponta a sujeira e coloca o dedo na ferida, mas não promove a assepsia nem cura o ferimento.” 

Tenha compaixão

Para o neurofilósofo, aqueles que criticam e julgam excessivamente, desconhecem o significado de empatia e compaixão: “Devemos ter compaixão com os outros, com o nível de entendimento, com a condição emocional que contemplam as suas histórias de vida. Devemos aceitar que eles só poderão oferecer o que eles têm, e principalmente, que eles terão que seguir por caminhos que eles mesmos escolherem, e precisamos compreender que não temos o poder e nem devemos querer ter o controle sobre as suas escolhas. O que eles escolhem viver e fazer são caminhos que fazem parte do aprendizado que eles precisam absorver e cabe a nós apenas aceitar, e entender, que o que acontecer a partir das suas escolhas será sempre o melhor para ele.” 

Falta de autoconhecimento leva ao julgamento do outro

Para Abreu, o julgador não percebe o próprio defeito e sempre acredita que está certo, não aceitando a opinião alheia, e demonstrando profunda aversão por “feedbacks” negativos: “Ele, o julgador, tem uma dificuldade absurda em admitir os próprios erros, porque busca a perfeição em si, e nos outros, e quando percebe que outras pessoas não o validam com a mesma perfeição que ele se projeta, ele se revolta e os ataca com severa agressividade, com palavras ofensivas e atitudes desagregadoras. Não podemos nos deixar influenciar pelas pessoas que criticam e julgam a nossa vida, pois não sabemos se elas vieram mediante a uma verdade, uma vaidade, ou uma enfermidade. Mas devemos ter a hombridade de nos analisar friamente para fazer as mudanças necessárias em nossas atitudes, e pensamentos.” 

Por esse motivo, o neurofilósofo aponta que a mudança que queremos ver no outro deve começar em nós: “Devemos emitir opiniões acerca do comportamento alheio, com base em nosso próprio crescimento e maturidade, mas somente se formos solicitados. Caso não tenham solicitado a nossa opinião, que tenhamos a sensatez de nos manter em silêncio. Devemos sempre expor as nossas visões no formato de palavras que carreguem um encadeamento de ideias, que leve o outro a uma ascensão e não a um rebaixamento. Quando elevamos o outro, conquistamos um espaço em suas vidas através da nossa própria experiência e evolução. Nesse contexto, nossas opiniões sempre serão bem vindas, e serão recebidas como um presente. E não como uma crítica, julgamento e condenação. Aqueles que criticam e julgam e se sentem bem após emitirem as suas opiniões regadas de “achismos” subjetivos, na verdade, estão querendo fugir da necessidade urgente de olhar para as suas próprias vidas. Afinal, o outro sempre carrega aspectos que são ou já foram nossos. Também por isso é sempre tão mais fácil enxergar no outro aquilo que não conseguimos enxergar em nós mesmos.” 

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