06/07/2020 às 17h48min - Atualizada em 07/07/2020 às 15h23min

Acesso à internet no Brasil é desigual: entenda as causas e as consequências

A pandemia de coronavírus vem servindo para mostrar os efeitos da desigualdade social no Brasil com mais clareza. Enquanto algumas pessoas, nos grandes centros urbanos, estão acessando a internet de dentro dos seus quartos, a maioria dos brasileiros possui uma conexão precária e inconsistente. 

 

Com as regras de distanciamento, a desigualdade social passou a ser representada no mundo digital. De acordo com pesquisas, cerca de 70 milhões de brasileiros têm acesso precário à internet ou não dispõe de uma rede. Segundo especialistas em tecnologia, a pandemia mostra a agravante desigualdade digital. 

Levantamento do Cetic.br mostra as facetas da desigualdade digital 

O Cetic.br, departamento do Comitê Gestor da Internet, responsável por monitorar a implementação de tecnologias há 15 anos, fez um levantamento que mostra dados que apontam como a desigualdade social brasileira se expressa por meio da internet. 

 

A pesquisa aponta, por exemplo, que 25 milhões dos brasileiros mais pobres apenas possuem acesso à internet pelo celular. Com critérios mais rígidos, o Cetic só considera como usuário digital quem fez algum acesso nos últimos três meses. 

 

Seguindo os critérios, o levantamento mostrou que 44% das pessoas que costumam ficar por mais de três meses longe da internet, e não são considerados usuários pelo Cetic, pertencem às classes D e E. 

 

O Cetic divide a desigualdade em dois níveis: o primeiro, considera aqueles que têm, ou não, acesso à internet. O segundo, engloba os usuários que costumam acessar à internet, mas com sérias limitações. Confira mais alguns dados obtidos pelo levantamento:

 
  • Cerca de 70 milhões de brasileiros possuem acesso precário ou não têm acesso à internet;

  • 42 milhões de brasileiros nunca acessaram a internet;

  • 10,4 milhões de brasileiros que moram em zonas rurais nunca usaram a internet;

  • Maior parte da população que não possui acesso à internet pertence às classes D e E;

  • Mais de 90% dos brasileiros que possuem acesso à internet pertencem às classes A e B;

  • Entre os que usam a internet regularmente, 56% só conseguem acessá-la pelo celular e por meio de contratações pré-pagas;

  • 67% dos domicílios brasileiros possuem internet, porém, em áreas rurais, apenas 44% dos lares têm rede disponível;

  • O acesso à internet nas classes baixas cresceu 24% nos últimos 4 anos;

  • A cada 100 casas no Brasil, 47 têm banda larga fixa;

  • 33% das conexões de banda larga fixa são feitas por meio de fibra óptica;

  • Em 70% dos acessos à internet móvel, as pessoas utilizam o 4G,

  • 30 milhões dos acessos à internet móvel ainda é feito em 2G.

Auxílio Emergencial evidencia desigualdade digital

Um exemplo claro da desigualdade digital no Brasil é a dificuldade para a obtenção do Auxílio Emergencial pela população mais pobre. As longas filas de trabalhadores nas agências da Caixa mostram como o acesso à internet no país é desigual. 

 

Começando pelo fato de muitos não terem todos os documentos e nem conta bancária, a maioria das pessoas teve bastante dificuldade para solicitar o Auxílio Emergencial. O aplicativo Caixa Tem ainda se destacou pela instabilidade e falta de acesso. 

 

Nem mesmo a liberação das operadoras ao app para pessoas sem crédito no celular, conseguiu solucionar o problema. Dados oficiais apontam que 50 milhões de pessoas solicitaram o auxílio, mas a IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado estima que o número pudesse ser de 80 milhões. 

 

Em resumo, a desigualdade digital no Brasil contribuiu seriamente para que muitas pessoas, principalmente, as moradoras de áreas rurais, não conseguissem solicitar o Auxílio Emergencial. Essa é uma constatação grave e que atinge os mais pobres, como os dados do Cetic apontam.

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