02/07/2020 às 16h22min - Atualizada em 04/07/2020 às 12h17min

Coletivo americano Black In Fashion Council quer garantir a diversidade étnica na moda

Em meio ao movimento antirracista Black lives matter (vidas pretas importam, em português), que tomou as ruas nos Estados Unidos, com reflexos no Brasil e no mundo, o Coletivo Black In Fashion Council foi formado para levar a discussão sobre representatividade negra para a indústria da moda.

A organização nascida no mês passado tem como fundadoras duas influentes personalidades: a diretora da Teen Vogue Lindsay Peoples Wagner e a publicista Sandrine Charles – ambas negras. Uma das ações principais do grupo é ranquear anualmente empresas do ramo de moda e beleza de acordo com a maneira que se relacionam com o público e seus funcionários pretos.

A intenção é promover oportunidades e visibilidade dentro da indústria que dita as tendências em roupas femininas, masculinas e beleza no geral. "Como um coletivo, visualizamos um mundo em que pessoas negras na moda e nos espaços de beleza possam ser sinceras, ter a garantia de direitos iguais e sejam celebradas por sua voz”, diz o Black In Fashion Council em seu site.

A iniciativa conta com o apoio da Human Rights Campaign, maior grupo de defesa dos direitos civis LGBTQIA+ nos Estados Unidos. A organização já apura o Índice de Igualdade Corporativa, mas não inclui nele questões étnicas. A lista é feita com base na experiência e na quantidade de pessoas da comunidade LGBT e de deficientes dentro das empresas.

Presença negra na moda brasileira ainda é pequena

No Brasil, há mais de dez anos, a São Paulo Fashion Week assinou um termo de ajustamento de conduta em acordo com o Ministério Público, para que 10% de seus modelos fossem afrodescendentes e indígenas. Mas, quase 20 edições depois, em 2018, a quantidade de pretos na passarela ainda era de apenas 28% do total.

A parcela é desproporcionalmente pequena, se levado em conta que a população brasileira é em maioria negra (55,8%), de acordo com o IBGE, e poderia ser ainda menor se não fossem os desfiles de dez marcas estreantes e pequenas – o percentual giraria em torno de 10%, já que as grifes renomadas ainda apresentam resistência em mostrar modelos que não sejam brancos.

Outra evolução tímida está em uma maneira diferente de apresentar produtos, mas que não deixa de promover tendências: a publicidade. O levantamento feito pelo Gemaa (Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa) mostrou que, de 1987 a 2017, o aumento da apresentação de negros em propagandas foi de apenas 7%. No primeiro ano da pesquisa, os brancos eram 84%; no último, eram 78%.

 
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