28/05/2020 às 16h53min - Atualizada em 29/05/2020 às 12h16min

Denúncias de violações contra idosos aumentam 83,33% durante isolamento social

Durante o espaço de 26 dias, entre dia 12 de março, quando surgiram os primeiros casos de COVID-19 no Pernambuco, até o dia 6 de abril, 33 denúncias de violações contra idosos foram registradas, se opondo às 18 ocorridas no mesmo período anterior. Esse número representa um aumento de 83,33%.

 

Esses dados pertencem ao Centro Integrado de Atenção e Prevenção à Violência Contra a Pessoa Idosa (Ciappi), associado à Secretaria Executiva de Direitos Humanos, que foram divulgados no último dia 14 de abril e servem de apoio às informações apresentadas a seguir.

 

As denúncias realizadas nesse período expressam o desleixo que ocorre com a população idosa. Eles incluem violações como violência financeira, física, psicológica, ameaças de morte, negligência e abandono familiar. 

Violência contra o idoso

No período de 26 dias anteriores a esse, de 15 de fevereiro até 11 de março, foram contabilizadas 18 denúncias de violações contra idosos. Desse número, 16 violações aconteceram no ambiente intrafamiliar e apenas 2 no ambiente extrafamiliar. Esse recorte é anterior ao período do isolamento.

 

As denúncias foram checadas e foi constatado que, em alguns casos, o idoso foi vítima de mais de uma violação. Já em junho de 2019, notava-se um aumento das denúncias contra pessoas idosas. 

 

Em 2018, o Disque 100, Disque Direitos Humanos, um serviço oferecido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), recebeu 37.454 declarações de violações desse tipo. Em 2019, houve um acréscimo de 13% em comparação ao resultado anterior.

 

Segundo a ministra Damares Alves, apesar do aumento das acusações feitas por meio do Disque 100, a violência contra essa população ainda é pouco conhecida. Ela também realça que precisamos tratar as pessoas idosas com respeito e que o legado delas para o nosso país é grandioso.

 

Antônio Costa, secretário nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa do MMFDH, afirma que a agressão contra os mais velhos vai muito além dos maus tratos — inclui, também, a violência financeira e do abandono, além da exclusão da sociedade.

 

É sabido que muitos idosos acabam sendo excluídos da sociedade pelas mais diversas razões. Muitos são demitidos de seus empregos por conta da idade avançada, ainda que consigam cumprir suas funções. Falta o planejamento melhor estruturado da inclusão dessas pessoas na sociedade, de maneira geral. 

 

Além disso, idosos que costumam enfrentar mais problemas de saúde por conta de um corpo mais fragilizado precisam se sujeitar às imensas filas do SUS ou aos valores exorbitantes de convênios médicos. É como se a pessoa idosa fosse esquecida, ainda que existam direitos que garantam sua qualidade de vida. 

 

Existem algumas campanhas que visam trazer a conscientização desses problemas para a sociedade. Entre eles, o secretário destacou a realização da Campanha Junho Lilás e o “Seminário Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa: das ações às omissões”.

 

Esse evento foi projetado para fazer alusão ao Dia Internacional de Conscientização e Combate à Violência contra Pessoa Idosa que acontece todo dia 15 de junho no mundo inteiro. Ele tem o propósito de abordar as medidas para prevenir e identificar situações de negligência, violência e abuso contra os idosos.

Dados obtidos no Disque 100

Alguns números obtidos pela análise de 2018 informam que 52,9% dos casos de violência contra os idosos foram praticados pelos próprios filhos desses indivíduos, seguido de netos, representando 7,8%. As pessoas mais afetadas são mulheres, com 62,6% dos casos, e homens, 32%.

 

As agressões mais observadas são negligências (38%), violência psicológica (26,5%) e abuso financeiro e econômico (19,9%), que pode envolver a retenção do salário e destruição de bens. Outro dado importante nos revela que mais de 14 mil vítimas alegaram possuir algum tipo de deficiência.

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