31/03/2020 às 13h35min - Atualizada em 02/04/2020 às 12h19min

Roupas digitais exclusivas em modelagem 3D estão tomando o mundo da moda

A transformação digital está mudando tudo, inclusive, a forma como compramos roupas pela Internet. Marcas estão oferecendo, aos internautas, a oportunidades de criarem as suas próprias peças. A forma como consumimos mudou o mercado de moda, o que tem resultado nas primeiras coleções exclusivamente digitais. As peças são feitas em modelagem 3D.


Em prol da sustentabilidade 

A produção das roupas virtuais funciona da seguinte forma: as peças são feitas em modelagem 3D e, quando adquiridas por um comprador, os designers fazem uma peça ajustada para o cliente, através de uma foto enviada por eles. 

Porém, as roupas não chegam a se materializar, ou seja, o comprador não irá usá-las presencialmente. A ideia é que o consumidor compre uma roupa para vestir digitalmente. Isso mesmo, assim, ele pode compartilhar uma foto, usando a roupa, em redes sociais, como o Instagram.

A aquisição das roupas virtuais é considerada uma solução possível para o modelo de fast fashion, que tem como objetivo o consumo, praticamente, descartável de roupas. Para impulsionar as vendas, as marcas estão utilizando personalidades e influenciadores do mundo da moda. 

Um mundo que busca por soluções sustentáveis vê, nesse estilo de comercialização de roupas, uma saída para diminuir o impacto negativo da fabricação de peças. A indústria da moda gera cerca de 10% das emissões de carbono mundiais. Para se ter uma ideia, a indústria emite uma porcentagem de carbono maior por ano do que os voos internacionais e os transportes marítimos juntos. 

Sem necessitar do desperdício de recursos naturais, as roupas digitais são uma forma acessível para que a indústria da moda aplique mudanças sustentáveis em larga escala no setor. A produção das roupas virtuais não enfrentam limitações de orçamento e nem críticas em relação à qualidade e a modelagem dos tecidos, já que não são físicas. 


Demanda por bens digitais 

Números apontam que há bastante demanda por bens digitais. Gamers são alguns dos principais responsáveis por gerar essa procura. Os jogadores do Fortnite, um dos mais famosos da atualidade, gastam, em média, US$ 58, cerca de R$ 300, com itens de beleza para seus personagens, incluindo novos trajes. 

Mesmo com uma boa demanda de mercado e com o setor de vendas de roupas virtuais começando a crescer, o diretor da Fashion Innovation Agency da London College of Fashion, Matthew Drinkwater, ressalta que deve levar cerca de dez anos para que as roupas digitais se tornem comuns na indústria da moda. 


Melhor custo-benefício e exclusividade

As roupas digitais podem unir dois bons fatores para atrair a atenção de consumidores: o bom custo-benefício e a exclusividade. As peças digitais devem ter um custo mais acessível e são exclusivas, o que é um anseio de muitos consumidores. 

Além de serem mais baratas e venderem modelos exclusivos para os consumidores, as roupas digitais tendem a ser mais inclusivas e democráticas. Como a modelagem das peças é feita com base na foto dos compradores, as roupas podem ser adaptadas para qualquer tipo de corpo e não possuem restrições de tamanho.

Mesmo assim, podem enfrentar resistência por boa parte do público consumidor de moda ao redor do mundo. Existem pessoas que não compram roupas on-line porque têm medo de adquirir peças que não as sirvam ou não sejam parecidas com as fotos postadas nos anúncios de e-commerce.

O principal questionamento para a disseminação desse mercado é se as pessoas estariam dispostas a deixarem de lado a experiência tátil de prova e toque no tecido, que é muito valorizada pela maioria dos consumidores. 

 
Notícias Relacionadas »
Comentários »